1981 · Série de fotografias em preto e branco, impressões em gelatina e prata Série de 22 fotografias; dimensões variáveis
chave de leitura
A imagem permanece quase a mesma, mas a mudança de autoria transforma radicalmente aquilo que ela significa.
Em 1981, Sherrie Levine fotografou reproduções impressas de imagens que Walker Evans havia realizado durante a Grande Depressão. A série After Walker Evans reúne 22 dessas refotografias. A imagem de abertura, After Walker Evans: 4, retoma o célebre retrato de Allie Mae Burroughs, esposa de um meeiro do Alabama, fotografada por Evans em 1936. Levine, porém, não retorna à mulher nem ao lugar: sua câmera se dirige a uma imagem já publicada e transformada em referência da história da fotografia.
A diferença visual entre as fotografias de Evans e Levine é mínima; a diferença conceitual é decisiva. Ao assinar e expor a reprodução como obra própria, Levine desloca a atenção do tema representado para os mecanismos de autoria, circulação e legitimação. A apropriação não procura esconder a fonte — ela a anuncia no próprio título — e pergunta por que a originalidade, a autenticidade e a propriedade foram tratadas como fundamentos naturais da arte moderna.
O gesto também intervém na autoridade de um cânone constituído sobretudo por homens. A imagem documental de Evans, muitas vezes lida como testemunho transparente da pobreza rural, reaparece como construção histórica atravessada pelo olhar do fotógrafo, pelo livro, pelo catálogo, pelo mercado e pelo museu. O termo after pode significar tanto ‘depois de’ quanto ‘à maneira de’: Levine ocupa essa ambiguidade para mostrar que nenhuma imagem existe fora das imagens anteriores e dos contextos que a fazem circular.
comparar para perceber o deslocamento
O que muda quando a imagem se repete?
A aproximação entre o retrato de Walker Evans e a refotografia de Sherrie Levine evidencia uma distância que não depende apenas da aparência. Autoria, data, suporte e contexto alteram o modo como a mesma imagem é lida e legitimada.
Walker Evans, 1936 ↔ Sherrie Levine, 1981 · A semelhança visual torna ainda mais evidente a mudança de autoria, circulação e significado.
apropriação, cópia e autoria
The Case for Copying
Produzido por The Art Assignment, do PBS Digital Studios, o vídeo percorre a história da cópia na arte e toma o confronto entre Walker Evans e Sherrie Levine como ponto de partida. A discussão mostra por que apropriar não é apenas repetir: a mudança de autoria, data e contexto pode produzir novos sentidos e colocar em crise o mito do original e do gênio individual.
Da autoria como origem à autoria como operação crítica.
Levine não acrescenta uma nova cena ao repertório visual: trabalha sobre uma imagem que já possuía autoridade histórica. Ao refotografá-la, torna visível que o sentido de uma fotografia não está somente naquilo que ela mostra, mas também em quem a assina, onde circula, quem a legitima e quais relações de poder sustentam sua condição de obra.
01apropriação02autoria e originalidade03reprodutibilidade da fotografia04Pictures Generation05crítica feminista do cânone
analisar
Desloque a assinatura da imagem.
Compare a imagem de Levine com o retrato Alabama Tenant Farmer Wife, realizado por Walker Evans em 1936. Liste primeiro aquilo que parece permanecer igual. Depois identifique tudo o que muda quando se alteram a autoria, a data, o título, o suporte e o lugar de exibição. Conclua explicando por que a apropriação pode funcionar como análise crítica, e não apenas como cópia.
Uma obra não termina em si mesma: ela abre caminhos para outras imagens, tempos e conflitos.
Arte brasileira para o ENEM
Paulo Nazareth
Para venda / For Sale, 2011
Esta obra amplia a discussão sobre corpo, imagem e poder e participação. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.
Esta obra amplia a discussão sobre corpo, imagem e poder e participação. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.
Esta obra amplia a discussão sobre corpo, imagem e poder e participação. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.