1973–1980 · Intervenções efêmeras com corpo, terra, flores, fogo e outros materiais naturais; registros em fotografia e filme Dimensões variáveis
chave de leitura
Mendieta não representa um corpo na paisagem: faz do corpo uma passagem entre presença, vestígio e desaparecimento.
Iniciada em 1973 e desenvolvida ao longo de sete anos, Silueta Series reúne ações que aproximam body art, performance, fotografia e intervenção na paisagem. Mendieta imprimiu, escavou ou desenhou formas corporais na terra, na areia e na vegetação; também empregou flores, folhas, sangue, água, fogo e pólvora. Em algumas imagens, seu corpo permanece visível. Em outras, resta apenas o contorno: uma presença construída pela ausência.
A fotografia enviada registra Imagen de Yagul, realizada em 1973 no sítio arqueológico de Yagul, em Oaxaca. Deitada no interior de uma tumba, a artista cobre o corpo com flores brancas, fazendo a vegetação acompanhar sua anatomia e ocultar parcialmente seu rosto. Vida e sepultamento, germinação e decomposição deixam de funcionar como opostos. O corpo parece simultaneamente acolhido pela terra e prestes a desaparecer nela.
A experiência do exílio de Cuba e a busca por pertencimento atravessam a obra sem esgotar seus sentidos. Mendieta chamou essas ações de esculturas earth-body: trabalhos em que identidade, ritual e memória se constroem no contato físico com o território. Como as intervenções eram temporárias, seus registros fotográficos e fílmicos não são simples documentos; são a forma pela qual a ação efêmera se torna imagem, arquivo e memória compartilhável.
vestígios e transformações
A silhueta muda com a matéria.
Entre terra, pedra, água, pigmento e vegetação, a forma do corpo nunca permanece idêntica. A sequência evidencia como cada silhueta nasce do encontro com um lugar e se transforma com ele.
Em diferentes suportes e paisagens, a silhueta passa do corpo presente ao contorno, à mancha e ao vestígio.O pigmento vermelho torna o contorno corporal uma presença intensa e, ao mesmo tempo, vulnerável ao movimento da água.A forma escavada converte a terra em corpo: cavidade, ferida, abrigo e memória aparecem na mesma imagem.
registro em vídeo
Serie de Siluetas de Ana Mendieta
O vídeo reúne registros da série e torna perceptível aquilo que a fotografia fixa apenas como vestígio: a duração das ações e a transformação da forma pelo ambiente. Em movimento, a silhueta aparece menos como figura estável e mais como processo de presença e desaparecimento.
Do corpo como figura isolada ao corpo como vestígio na terra.
Silueta Series desloca o corpo feminino da condição de objeto passivo do olhar para a de força que marca, ocupa e transforma o território. A silhueta funciona ao mesmo tempo como autorretrato, rastro, abrigo e ausência, articulando experiência pessoal, memória cultural e ciclos naturais.
01earth-body art02corpo e território03exílio e pertencimento04ritual e memória05efemeridade e fotografia
analisar
Acompanhe o que aparece ao desaparecer.
Observe a posição do corpo, as flores, a cavidade rochosa e as zonas de sombra. Identifique onde a figura ainda se distingue da paisagem e onde começa a se confundir com ela. Depois explique como o registro fotográfico transforma um acontecimento temporário em uma imagem duradoura sem eliminar seu sentido de desaparecimento.
Uma obra não termina em si mesma: ela abre caminhos para outras imagens, tempos e conflitos.
Arte brasileira para o ENEM
Rosana Paulino
Bastidores, 1997
Esta obra amplia a discussão sobre memória, corpo e colonialidade. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.
Esta obra amplia a discussão sobre memória, corpo e imagem e poder. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.
Esta obra amplia a discussão sobre memória, corpo e colonialidade. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.