Ana Mendieta deitada em uma tumba de Yagul, com o corpo coberto por flores brancas em Imagen de Yagul, da série Silueta.
Ana Mendieta, Imagen de Yagul, da série Silueta Works in Mexico, 1973. Fotografia colorida. Reprodução para fins educativos.

núcleo 06

Feminismos, raça e decolonialidade

Ana Mendieta

Silueta Series

1973–1980 · Intervenções efêmeras com corpo, terra, flores, fogo e outros materiais naturais; registros em fotografia e filme
Dimensões variáveis

chave de leitura

Mendieta não representa um corpo na paisagem: faz do corpo uma passagem entre presença, vestígio e desaparecimento.

Iniciada em 1973 e desenvolvida ao longo de sete anos, Silueta Series reúne ações que aproximam body art, performance, fotografia e intervenção na paisagem. Mendieta imprimiu, escavou ou desenhou formas corporais na terra, na areia e na vegetação; também empregou flores, folhas, sangue, água, fogo e pólvora. Em algumas imagens, seu corpo permanece visível. Em outras, resta apenas o contorno: uma presença construída pela ausência.

A fotografia enviada registra Imagen de Yagul, realizada em 1973 no sítio arqueológico de Yagul, em Oaxaca. Deitada no interior de uma tumba, a artista cobre o corpo com flores brancas, fazendo a vegetação acompanhar sua anatomia e ocultar parcialmente seu rosto. Vida e sepultamento, germinação e decomposição deixam de funcionar como opostos. O corpo parece simultaneamente acolhido pela terra e prestes a desaparecer nela.

A experiência do exílio de Cuba e a busca por pertencimento atravessam a obra sem esgotar seus sentidos. Mendieta chamou essas ações de esculturas earth-body: trabalhos em que identidade, ritual e memória se constroem no contato físico com o território. Como as intervenções eram temporárias, seus registros fotográficos e fílmicos não são simples documentos; são a forma pela qual a ação efêmera se torna imagem, arquivo e memória compartilhável.

repertório produtivo

Do corpo como figura isolada
ao corpo como vestígio na terra.

Silueta Series desloca o corpo feminino da condição de objeto passivo do olhar para a de força que marca, ocupa e transforma o território. A silhueta funciona ao mesmo tempo como autorretrato, rastro, abrigo e ausência, articulando experiência pessoal, memória cultural e ciclos naturais.

01earth-body art02corpo e território03exílio e pertencimento04ritual e memória05efemeridade e fotografia

analisar

Acompanhe
o que aparece ao desaparecer.

Observe a posição do corpo, as flores, a cavidade rochosa e as zonas de sombra. Identifique onde a figura ainda se distingue da paisagem e onde começa a se confundir com ela. Depois explique como o registro fotográfico transforma um acontecimento temporário em uma imagem duradoura sem eliminar seu sentido de desaparecimento.

Ana Mendieta · MoMA ↗