Fotograma de How Not to Be Seen, de Hito Steyerl: um quadro de teste de resolução está montado diante de um fundo verde de chroma key.
Hito Steyerl, How Not to Be Seen: A Fucking Didactic Educational .MOV File, 2013. Vídeo digital em canal único, cor e som, 14 min. Fotograma da obra. Reprodução para fins educativos.

núcleo 08

Tecnologia, imagem digital e arte contemporânea hoje

Hito Steyerl

How Not to Be Seen

2013 · Vídeo digital em canal único, cor e som
14 min

chave de leitura

Em um mundo que mede, reconhece e registra continuamente, tornar-se invisível pode ser proteção — mas também apagamento.

How Not to Be Seen assume a aparência de um filme educativo. Uma voz sintética organiza cinco lições absurdas sobre como escapar da visibilidade: diminuir até ficar abaixo da resolução da câmera, ocultar-se à vista de todos, tornar-se uma imagem, desaparecer ou fundir-se a um mundo feito de imagens. A estrutura didática é deliberadamente paródica. Steyerl combina instruções, colagens digitais, corpos pintados, chroma key e animações rudimentares para expor o caráter construído das imagens técnicas.

O quadro de teste mostrado neste fotograma condensa o problema central da obra. Padrões desse tipo servem para medir aquilo que um sistema óptico consegue distinguir. Contra o fundo verde, pronto para receber qualquer cenário digital, a placa transforma a visibilidade em cálculo: existir para a câmera significa possuir tamanho, contraste e definição suficientes para ser reconhecido. Aquilo que não alcança o limiar técnico converte-se em ruído ou simplesmente deixa de aparecer.

A invisibilidade, porém, permanece ambígua. Pode significar escapar da vigilância e recusar a exposição permanente, mas também pode resultar de exclusão, pobreza, violência ou desaparecimento. O humor do vídeo não suaviza esse conflito; ele mostra que as imagens digitais distribuem poder ao decidir quem será detectado, classificado e lembrado. Em vez de tratar a internet e as câmeras como meios neutros, Steyerl pergunta quais corpos conseguem controlar a própria imagem e quais são tornados invisíveis por sistemas que afirmam ver tudo.

repertório produtivo

Da imagem como representação
à imagem como sistema de controle.

Steyerl trabalha em um contexto no qual imagens não apenas mostram o mundo: câmeras, satélites, plataformas e algoritmos também medem, identificam e classificam pessoas. A obra usa a linguagem precária e irônica do vídeo digital para revelar que toda visibilidade depende de infraestruturas técnicas e relações de poder.

01videoarte02vigilância03resolução da imagem04chroma key05visibilidade e apagamento

analisar

Meça
os limites do visível.

Observe o quadro de resolução e o fundo verde deste fotograma. Explique a função simbólica de cada elemento e relacione-os a duas formas distintas de invisibilidade propostas pela obra: uma escolhida como resistência e outra imposta como apagamento.

Hito Steyerl: I Will Survive · Centre Pompidou ↗