1948 · Óleo e tinta esmalte sobre tela 172,7 × 264,2 cm
chave de leitura
A pintura deixa de registrar uma imagem e passa a registrar uma ação.
Number 1A, 1948 nasce de uma mudança decisiva: Pollock abandona o cavalete, estende a tela sem chassis no chão e trabalha ao redor dela. Em vez de organizar figuras dentro de um espaço perspectivo, ele constrói uma superfície contínua de vestígios. Linhas, respingos, manchas e impressões de mãos não ilustram uma cena; tornam visíveis a duração, a velocidade e as interrupções do fazer.
No dripping, a tinta é derramada, gotejada ou lançada por pincéis, bastões e recipientes. Como o instrumento não precisa tocar diretamente a tela, cada fio de tinta responde simultaneamente ao movimento do braço, à gravidade, à viscosidade do material e à distância do corpo. O acaso participa, mas não significa ausência de decisão: Pollock controla ritmos, densidades, sobreposições e pausas enquanto circula pelos quatro lados da obra.
A composição all-over evita um centro hierárquico e faz com que toda a extensão da tela permaneça ativa. As marcas de mãos, visíveis sobretudo na região superior direita, recolocam o corpo dentro da obra: não como figura representada, mas como presença que deixou rastros. É nesse sentido que a pintura em ação desloca o interesse do resultado acabado para o acontecimento pictórico.
pintura como acontecimento
A obra não representa uma ação. Ela é a própria ação.
“Um artista como Pollock, emblemático da pintura de ação, demonstrava que a ação da pintura, isto é, o que está sendo feito naquele instante, justifica a natureza de toda a construção pictórica. A ideia de uma ação presente, desvinculada de qualquer intenção de narrativa ou de inclusão na história, busca apagar o passado hegemônico europeu a fim de salientar o conceito arte per se (arte por si só).”
repertório produtivo
Ler o gesto como matéria.
A pintura em ação não transforma o gesto em espetáculo vazio: ela faz do tempo, do corpo e das propriedades da tinta os próprios elementos da composição.
01action painting02dripping03campo all-over04corpo e gesto05pós-guerra e deslocamento do centro artístico
analisar
Reconstrua o movimento.
Escolha três tipos de marca — fio, respingo, mancha ou impressão de mão — e descreva o movimento corporal que cada uma parece registrar. Depois explique por que o dripping não pode ser reduzido à ideia de acaso.
Uma obra não termina em si mesma: ela abre caminhos para outras imagens, tempos e conflitos.
Arte brasileira para o ENEM
Adriana Varejão
Azulejaria em carne viva, 1999
Esta obra amplia a discussão sobre violência histórica, corpo e participação. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.
Esta obra amplia a discussão sobre violência histórica, corpo e participação. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.
Esta obra amplia a discussão sobre violência histórica, corpo e imagem e poder. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.