S/Aateliê de estudos SofiArte← voltar ao núcleo 06Judy Chicago, The Dinner Party, 1974–1979. Elizabeth A. Sackler Center for Feminist Art, Brooklyn Museum. Vista da instalação. Reprodução para fins educativos.
núcleo 06
Feminismos, raça e decolonialidade
Judy Chicago
The Dinner Party
1974–1979 · Cerâmica pintada, porcelana, têxteis bordados e piso de azulejos Mesa triangular de 14,63 m em cada lado · 39 lugares cerimoniais
chave de leitura
Chicago transforma o banquete — lugar de cerimônia, hierarquia e memória — em uma monumental reescrita feminista da história.
The Dinner Party organiza-se como uma grande mesa triangular aberta, com 39 lugares dedicados a figuras femininas históricas e mitológicas. A forma equilátera recusa uma cabeceira e, portanto, uma posição única de autoridade. Cada lugar reúne prato de porcelana, cálice, talheres e um caminho de mesa bordado com o nome e referências visuais à trajetória da homenageada.
Sob a mesa, o Heritage Floor inscreve em azulejos os nomes de outras 999 mulheres. A relação entre as 39 presenças individualizadas e essa comunidade de nomes constrói uma contra-história: aquilo que o cânone tratou como ausência aparece como uma rede extensa de produção intelectual, política e cultural. Cerâmica, bordado e costura — práticas frequentemente classificadas como artesanato doméstico e feminino — assumem aqui escala arquitetônica e estatuto de monumento.
A obra também torna visível o caráter coletivo da criação, reconhecendo assistentes e colaboradores em painéis próprios. Ao mesmo tempo, permanece aberta à crítica: sua narrativa privilegia referências ocidentais, e a associação recorrente entre identidade feminina e formas vulvares pode ser lida como afirmação política ou como redução da diversidade dos corpos. Estudar The Dinner Party significa reconhecer sua força histórica sem transformar o marco feminista em resposta definitiva.
detalhes e percurso
A mesa vista de perto.
As imagens alternam a escala arquitetônica da instalação e a singularidade de seus lugares cerimoniais. Entre pratos, bordados, cálices e nomes inscritos no piso, a obra constrói uma história coletiva por meio do detalhe.
Os lugares cerimoniais encontram o Heritage Floor, ampliando a narrativa para centenas de mulheres inscritas no piso.Judy Chicago diante da instalação: a forma triangular recusa uma cabeceira e uma posição única de autoridade.Cerâmica, porcelana e bordado transformam linguagens historicamente associadas ao trabalho doméstico em monumento.
análise em vídeo
Judy Chicago, The Dinner Party
A análise percorre a forma triangular, os 39 lugares e os 999 nomes do Heritage Floor, mostrando como materiais associados ao trabalho doméstico e feminino são convertidos em monumento e revisão crítica do cânone.
Da história como galeria de grandes homens à mesa como contra-arquivo.
The Dinner Party converte uma refeição cerimonial em estrutura de memória e disputa. Ao monumentalizar linguagens ligadas ao trabalho doméstico, a obra confronta hierarquias entre arte e artesanato, autoria individual e colaboração, centro e margem — e convida o público a perguntar como toda narrativa histórica seleciona presenças e produz ausências.
01arte feminista02reescrita do cânone03cerâmica e têxtil04trabalho colaborativo05memória e representação
analisar
Leia a mesa como mapa do poder.
Observe a forma triangular, os lugares individuais e os nomes inscritos no piso. Escolha um detalhe material — prato, bordado, cálice ou azulejo — e explique como ele transforma memória histórica em presença. Depois, formule uma ausência: que figura, território ou experiência você acrescentaria a essa mesa, e por quê?
Uma obra não termina em si mesma: ela abre caminhos para outras imagens, tempos e conflitos.
Arte brasileira para o ENEM
Rosana Paulino
Bastidores, 1997
Esta obra amplia a discussão sobre memória, colonialidade e imagem e poder. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.
Esta obra amplia a discussão sobre memória, imagem e poder e participação. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.
Esta obra amplia a discussão sobre memória, colonialidade e imagem e poder. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.