Guernica, de Pablo Picasso: figuras humanas e animais fragmentadas em preto, branco e cinza compõem uma cena de violência e desespero
Pablo Picasso, Guernica, 1937. Reprodução para fins educativos.
EuropaArte e política

obra 10 / 20

Pablo Picasso

Guernica

1937
Óleo sobre tela

chave de leitura

A fragmentação cubista torna-se linguagem para uma experiência histórica cindida.

Corpos quebrados, animais, gritos e uma luz cortante ocupam um espaço sem saída. A escala monumental aproxima pintura histórica e denúncia política, mas evita uma narrativa heroica. O preto, o branco e o cinza devolvem a violência como choque, testemunho e memória.

forma e crise da civilização

A crise da forma é
a crise da civilização.

“Picasso tem uma visão clara da situação [...]. Não descreve nem figura o acontecimento [...]. Não recorre a tons oratórios, dramáticos, patéticos. Não supera a realidade histórica numa visão simbólica ou alegórica. Essas soluções teriam levado a uma representação, talvez fortemente emotiva, porém essencialmente escapista ou catártica. Picasso não pretende denunciar um crime à consciência do mundo civilizado, obrigando-o a se sentir co-responsável a reagir. O quadro não deve representar nem significar, mas desenvolver uma força de sugestão; a força não deve brotar do objeto ou do conteúdo (que todos sabem, é a notícia do dia), e sim da forma. A forma é a expressão mais alta da civilização ocidental, herdeira da cultura clássica; a crise da forma é o sinal da crise da civilização.”

Giulio Carlo Argan
ARGAN, 2010, p. 475.

repertório produtivo

Conectar
forma e história.

Conecta arte e propaganda, fascismo, memória coletiva, testemunho e violência contra civis.

01Guerra Civil Espanhola02antifascismo

Analisar

Faça a obra
produzir argumento.

Escolha três figuras e acompanhe a direção de seus gestos e olhares. Explique como a composição impede uma leitura heroica da guerra.