Running Fence, de Christo e Jeanne-Claude, percorre em curvas as colinas dos condados de Sonoma e Marin, na Califórnia.
Christo e Jeanne-Claude, Running Fence, 1972–1976. Condados de Sonoma e Marin, Califórnia. Vista da instalação em setembro de 1976. Reprodução para fins educativos.

núcleo 05

Espaço, instalação e natureza

Christo e Jeanne-Claude

Running Fence

1972–1976 · Tecido de náilon branco, postes e cabos de aço
39,4 km de comprimento × 5,5 m de altura

chave de leitura

A cerca não separa: converte o território em um desenho temporário feito de paisagem, vento, luz e negociação coletiva.

Concluída em 10 de setembro de 1976, Running Fence atravessava 39,4 quilômetros dos condados de Sonoma e Marin, na Califórnia. A extensa cortina de náilon branco, sustentada por 2.050 postes de aço, acompanhava o relevo de 59 propriedades rurais até alcançar o oceano Pacífico. Sua escala impede que a obra seja apreendida de uma só vez: ela aparece e desaparece entre vales e colinas, exigindo deslocamento e sucessivos pontos de vista.

Embora tenha a forma de uma cerca, a instalação não funciona como barreira defensiva. O tecido deixa passar a luz, reage ao vento e torna visíveis as ondulações do terreno. Em vez de encerrar a paisagem, a linha branca revela sua extensão e seu ritmo. A obra acontece na tensão entre a precisão do projeto e as variações do lugar: topografia, clima, distância e movimento transformam continuamente aquilo que o visitante percebe.

Os 42 meses de preparação também integram o sentido de Running Fence. Christo e Jeanne-Claude negociaram com proprietários rurais, participaram de audiências públicas, enfrentaram exigências ambientais e mobilizaram centenas de trabalhadores. A instalação permaneceu montada por apenas 14 dias e depois foi removida, conforme os acordos estabelecidos. Assim, a obra não se reduz ao tecido: inclui permissões, conflitos, cooperação, montagem, experiência pública e desaparecimento.

repertório produtivo

Da cerca que delimita
à linha que revela.

Running Fence apropria-se de um elemento associado à propriedade e à divisão para produzir continuidade visual. A linha atravessa fronteiras administrativas e terrenos privados, mas sua realização só se torna possível por meio de acordos: paisagem e vida social passam a constituir a mesma obra.

01arte ambiental02site-specific03efemeridade04paisagem e percurso05processo coletivo

analisar

Percorra
a linha na paisagem.

Siga visualmente a linha branca da fotografia e identifique onde ela se aproxima, se afasta, desaparece e reaparece. Em seguida, descreva como relevo, luz e distância alteram a forma percebida. Conclua explicando por que a duração limitada da instalação não diminui — e talvez amplie — sua presença histórica.

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