Paulo Nazareth ao lado de quatro pessoas, segurando uma placa com a frase Vendo mi imagen de hombre exótico
Paulo Nazareth, Notícias de América, 2011–2012. Reprodução para fins educativos.

obra 11 / 12

Paulo Nazareth

Notícias de América

2011–2012
Caminhada, fotografia e ação

#migração#território#identidade

02

chave de leitura

O deslocamento do artista transforma o caminho em obra e as fronteiras em pergunta.

Em uma longa viagem terrestre pelas Américas, ações, encontros, placas e fotografias registram como raça, nacionalidade e trabalho são lidos de maneiras diferentes ao longo do percurso. O corpo do artista funciona como arquivo móvel.

pergunta-motorComo uma fronteira age sobre os corpos antes mesmo de ser atravessada?

comentário crítico

A obra também
pensa por sua voz.

Durante 10 meses, o artista Paulo Nazareth atravessou as Américas, partindo de seu estado natal, Minas Gerais, no Brasil, e terminando em Miami, para uma edição da Art Basel Miami Beach. Nazareth descreveu a jornada, que abrangeu milhares de quilômetros e 15 países, como ‘uma residência em trânsito’ e uma ‘residência acidental’. Ao longo do caminho, Nazareth documentou o que viu em fotos, vídeos, textos e objetos encontrados, fornecendo uma visão em primeira mão de como o processo de migração da América do Sul para os Estados Unidos pode ser desgastante, tanto física quanto geopoliticamente. Em uma imagem da série, uma pequena bandeira dos EUA está sob os pés inchados e sujos do artista; em outra, ele está diante de uma placa demarcando a fronteira do estado do Arizona, segurando um cartaz que diz WE HAVE RIGHTS AT THIS LANDSCAPE (NÓS TEMOS DIREITOS NESSA PAISAGEM). De muitas maneiras, o projeto aponta para o absurdo das fronteiras criadas pelo homem, especialmente quando se confronta a perseverança necessária para navegar por elas.

Maximilíano Durón
The 100 Best Artworks of the 21st Century. ARTnews, 5 mar. 2025. Tradução para o português. Reprodução consultada no Prêmio PIPA. Consultar fonte ↗

caminhar como poética

A obra também
pensa por sua voz.

Caminhar para Paulo é importante, pois é na caminhada que percebe formas mistas e incertas que fundam a sua cosmogonia. Seu mundo é transitório e o deslocamento contínuo de “terra em terra” cria um mundo sem fixidez. Pelo caminho recolhe objetos e coisas, encontra-se com pessoas, instaura relações e situações dentro e fora do dito sistema de arte. Teria também tal sistema se tornado provisório? Empreende no tempo da caminhada, um certo grau de absoluto. Entrecruza pedaços de objetos, textos e imagens para, a partir deles, compor narrativas e situações. O que importa no processo não é necessariamente o resultado — objeto ou trabalho de arte original — mas a busca pela desorganização das coisas, das pessoas e de si mesmo.

Paulo caminha para desvencilhar-se da ideia de permanência. Nas caminhadas procura perceber como a cada situação, cotidiana ou propositadamente poética, pode ser imputado um novo ritmo capaz de alterar o já dado, e permitir que responda de uma outra maneira. Retém-se, por isso, apenas no instante que a cada momento se oferece como uma oportunidade de dissolução de todas as durações.

Janaina Melo
Caminhos e conversas de viagem. 2012. Citado em: RIBEIRO, Guilherme Trielli. O fim do fim da arte: a poética itinerante de Paulo Nazareth. Revista Landa, v. 5, n. 1, p. 427–437, 2016. Consultar fonte ↗

repertório produtivo

Na prova,
não basta citar.

Relaciona migração, fronteira, identidade latino-americana, circulação global, trabalho informal e desigualdade.

01fronteiras americanas02globalização e trabalho

Analisar

Faça a imagem
produzir argumento.

Construa um mapa afetivo do bairro: registre três fronteiras invisíveis e proponha como uma caminhada artística poderia revelá-las.