1970 · Rocha de basalto negro, cristais de sal, terra e água aprox. 457 m de comprimento × 4,6 m de largura
chave de leitura
A obra não é apenas uma forma colocada na paisagem: ela existe como relação entre matéria, lugar, percurso e transformação natural.
Construída em abril de 1970 em Rozel Point, na margem nordeste do Great Salt Lake, em Utah, Spiral Jetty avança sobre o lago como uma espiral no sentido anti-horário. Para realizá-la, Smithson mobilizou máquinas e uma equipe que deslocou aproximadamente seis mil toneladas de rocha basáltica e terra da própria região. A escala monumental rompe com a ideia de escultura como objeto transportável e faz do lugar uma condição inseparável da obra.
A espiral pode ser reconhecida de longe e em fotografias aéreas, mas também funciona como caminho. Ao percorrê-la, o visitante alterna aproximação e afastamento, centro e margem, água e solo. Não existe um único ponto de vista capaz de reunir a experiência inteira: corpo, deslocamento, horizonte e duração completam aquilo que a imagem vista de cima transforma em forma geométrica.
Smithson interessava-se pela entropia — processos de desgaste, dispersão e transformação irreversível. Em Spiral Jetty, variações no nível do lago podem cobrir ou revelar a estrutura; sal, água, sedimentos e microrganismos alteram continuamente suas cores e superfícies. Essas mudanças não são um acidente externo a uma forma ideal: fazem parte de uma obra que incorpora tempos humanos, ambientais e geológicos, tornando instável a fronteira entre construir e deixar transformar.
paisagem em transformação
A mesma espiral nunca é vista da mesma maneira.
As imagens registram diferentes distâncias, níveis da água e colorações do Great Salt Lake. O vídeo acrescenta o deslocamento pelo território e evidencia a escala da obra em relação ao corpo e à paisagem.
Com o recuo da água, a espiral aparece sobre o leito salino e sua escala se torna visível em relação às montanhas e à extensão do lago.A vista distante revela o acesso à obra e sua dependência do lugar: a espiral não pode ser separada da margem, do lago e do percurso até ela.Água rosada, cristais de sal e basalto transformam a aparência da obra, tornando visível a ação conjunta de matéria, clima e tempo.Registro audiovisual produzido para a Utah State Magazine: a câmera percorre o território e restitui a escala, o acesso e a experiência espacial da obra.
repertório produtivo
Da paisagem como cenário à paisagem como processo.
Spiral Jetty desloca a escultura para uma escala em que clima, geologia e duração passam a agir sobre a obra. A paisagem deixa de ser fundo contemplativo e torna-se matéria ativa, capaz de ocultar, revelar e transformar aquilo que o artista construiu.
01Land Art02site-specific03entropia04tempo geológico05paisagem e ecologia
analisar
Percorra a espiral com o olhar.
Observe a fotografia primeiro como forma e depois como lugar. Identifique a espiral, o caminho de acesso, o leito do lago, as montanhas e a linha do horizonte. Em seguida, explique o que a vista aérea permite compreender e o que somente a caminhada sobre a obra poderia revelar.
Uma obra não termina em si mesma: ela abre caminhos para outras imagens, tempos e conflitos.
Arte brasileira para o ENEM
Adriana Varejão
Azulejaria em carne viva, 1999
Esta obra amplia a discussão sobre participação, matéria e linguagem e espaço. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.
Esta obra amplia a discussão sobre participação, matéria e linguagem e espaço. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.
Inserções em Circuitos Ideológicos: Projeto Coca-Cola, 1970
Esta obra amplia a discussão sobre participação, matéria e linguagem e espaço. Colocadas lado a lado, as imagens revelam como experiências de tempos distintos podem produzir perguntas em comum.